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O que visitar

Rabaçal (fitotoponímia) significa campo de plantas da família das umbelíferas (rabaça - Apium Nodiflorum L.). Esta planta é ainda um tempero muito apreciado na região.

A cerca de 25 Km de Coimbra, surge imponente a Serra do Rabaçal. O acesso a partir de Coimbra é feito através da N1 em direcção a Condeixa e depois seguindo as indicações para Penela (347). Num determinado ponto, mais ou menos a meio do percurso, surgirá uma cortada à esquerda indicando "Rabaçal".

A partir daí, terá um passeio agradável e tranquilo por uma estrada estreita no meio do campo. No nosso passeio, logo no início do caminho encontramos um milhafre a cortar o céu em busca de pequenos roedores ou talvez pequenos répteis. Seu vôo quase que planando no vento nos fez pensar qual seria a sensação de ver do alto toda a serra, com sua vegetação muito característica; ora extensões de relva rasteira e seca pelo calor do verão, ora o verde pálido das oliveiras, ora ainda manchas de verde vivo de pinheiros, olmos e eucaliptos. Isso para não falar das vinhas. Suas folhas começavam a adquirir tons avermelhados, dando mostras de que faltam apenas 20 dias para o fim do verão. O Aeroclube de Cernache (perto de Condeixa) dispõe de aeronaves para passeios aéreos por cerca de 5c por 20 min de vôo.

Fomos primeiro visitar a Villa Romana do Rabaçal. Uma antiga quinta romana do século IV ou V, situada a 12 km de Conimbriga. Provavelmente pertencia a uma família nobre, que tinha na agricultura uma fonte de riqueza. Esta quinta deveria contar com cerca de 100 ou 150 hectares de terreno, ou seja, uma área bastante maior que os 50/60 ha habituais.

A Villa Romana do Rabaçal começou a ser estudada em 1979 e em 1984 começaram a escavar. Após um minuncioso trabalho de escavações, surgiu a estrutura da casa principal, relevando mosaicos de invulgar beleza, como o das quatro estações, muito bem conservado. O complexo era composto pela parte residencial e pela parte rústica equidistantes (40m) da zona dos balneários.

É interessante notar que os romanos eram muito rigorosos nas suas construções e obedeciam sempre a certos padrões arquitectónicos e aos princípios definidos pelo arquitecto Vitrúvio (I a.c.) no seu livro "De Architectura".

No centro da villa áulica, residência nobre, estava o peristilo (pátio central com pórtico de vinte e quatro colunas e oito corredores) octagonal orientado segundo a rosa dos ventos. Este corresponde aopátio interior, tão característico da arquitectura mediterrânica. O peristilo era uma zona de lazer, de grande frescura no verão, pois normalmente havia uma fonte no centro e muitas flores e árvores.

O que torna a villa romana do rabaçal singular é a forma geométrica octagonal do seu peristilo.

Uma das perguntas mais frequentes é "onde foi parar o resto das pedras usadas nas paredes da casa?". Era comum nesta época a reutilização das pedras de casas em ruínas para a construção de outras habitações. Ainda hoje, pode-se encontrar em muitas casas do Rabaçal pedras que outrora pertenceram a esta Villa romana.

Outra visita a não perder é o Centro de Interpretação ou Espaço Museu situado na Rua da Igreja. Os objectos encontrados nas escavações foram estudados, catalogados e organizados e agora encontram-se expostos para o deleite dos visitantes.

Após esta visita pelas origens da povoação, fomos ao encontro da serra. A paisagem novamente apresenta variações bruscas do amarelo queimado das gramídeas ao verde vivo dos pinheiros. Embora a maior parte da paisagem seja de gramídeas e oliveiras, existem manchas de pinheiro. Entre as gramídeas, encontra-se com frequência a alcachofra, utilizada na fabricação do Queijo do Rabaçal — um queijo de cabra e ovelha, amarelo amantegado, com sabor muito próprio, derivado em boa parte dos pastos espontâneos de erva aromática de Santa Maria (tomilhinha - Thymus L.). É possível adquiri-lo directamente com os agricultores locais.

Do cimo da Serra, pode-se avistar todo o vale em forma de banheira, alongado por cerca de 10 km no sentido do comprimento norte-sul, os montes gêmeos, com as ruínas do antigo castelo de D. Afonso Henriques (séc. XII), as vinhas e as aldeias. Por cima, sobrevoando, encontrei novamente o milhafre, num vôo tranquilo aproveitando as correntes de ar. Contudo, estes areas não são sobrevoados apenas por milhafres, é frequênte a prática de parapente e paraquedas, que aproveitam as elevações e os amplos campos.

Tomei conhecimento ainda da existência de uma gruta na encosta de Legacão, que teria galerias com acesso ao interior de uma nascente, mas o dia já ia a terminar e terá de ficar para um próximo passeio.

 

Texto: Juliana Goto / 2001
Fotografia: Leonardo Opitz / Ago/Set 2001


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