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Coimbra, a música e o Fado

Património Cultural e Imaterial da Humanidade

Enquanto uma das primeiras capitais de Portugal e sede da mais antiga Universidade Portuguesa, Coimbra tem sido ao longo dos séculos um importante centro musical. Historicamente, a Sé Nova, o Mosteiro de Santa Cruz (fundado por D. Afonso Henriques) e a Universidade (com aula de música desde 1323) constituíram os principais centros de produção e prática musical. Não sendo fácil chegar com exactidão à origem do fado de Coimbra, é um facto que este se encontra intimamente ligado às tradições académicas constituindo um estilo musical português. 

É cantado por uma só pessoa (homem) de capa e batina característica dos estudantes e é acompanhado por uma guitarra clássica (viola) e uma guitarra portuguesa. Os temas mais usados são os amores dos estudantes, o amor pela cidade, e outros temas relacionados com a condição humana. Sabe-se com toda a certeza que a sua origem resulta da história da própria cidade e suas gentes multi étnicas, de proveniências muito variadas que foram povoando a região. Estas gentes, nos seus tempos lúdicos, davam expressão aos estilos musicais das suas proveniências em espaços públicos. 

Desde a reconquista, Coimbra estabeleceu-se enquanto poderoso espaço de mercado aberto, onde se estabeleciam relações comerciais entre o Reino Cristão a Norte e o Muçulmano a sul. A miscigenação entre povos e culturas veio a estender-se ainda mais com o nascimento da Universidade e a chegada à cidade de muitos jovens estudantes. Esses jovens, de muitas origens sociais e geográficas, davam azo às suas liberdades e tempos lúdicos cantando nas ruas. 

Sabe-se factualmente que D. João III em 1539 enviou ao então Reitor da Universidade uma missiva onde lhe solicitava que moderasse esses hábitos estudantis de cantar nas ruas pela noite, pois incomodava os moradores que se queixavam da algazarra.

É de crer portanto que esteja na origem do fado ou canto de Coimbra, a existência de formação Universitária em música desde os primórdios da Universidade, conjugada com a variedade de estilos musicais oriundos da canção popular com a canção erudita praticada pelos aristocratas estudantes, associada à prática de cantar nas ruas em serenatas, canções de amor, trovas e miles. 

Foi, provavelmente, a miscigenação de culturas musicais, entre a erudita e a popular, uma prática social de cantar nas ruas (que impedia o uso do cravo ou do piano que na época acompanhava habitualmente o canto aristocrático) que evoluiu para a canção que hoje se designa por fado de Coimbra.

A utilização do fado de Coimbra enquanto “arma” política, recai nos tempos contemporâneos, sobre nomes como os de Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, entre outros, que dele se valeram para fazerem passar a sua mensagem política de forma a permanecer no ouvido do povo que de seguida os copiava, cantando

O fado de Coimbra foi considerado em 2011 Património Cultural e Imaterial da Humanidade pela UNESCO.

 

NOTA: Artigo de Salomé Reis especialmente os sites Região Centro e Região Norte.


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