Ilustração sobre a Localidade

Feira Medieval de Coimbra

Febras, torresmos e sardinhas, tostam nas brasas e são servidos em folhas de couve ou em pão de centeio.

Saída da missa de abertura da Feira Medieval

 

 

A Feira Medieval de Coimbra faz-nos recuar no tempo e leva-nos a um convívio de perto com almocreves, mercadores, mendigos, gentis-homens e clérigos. O espírito medievo de uma feira do século XIV invade o visitante e transporta-o para um tempo imemorial.

No ar pairam os mais variados aromas. Febras, torresmos e sardinhas, tostam nas brasas e são servidos em folhas de couve ou em pão de centeio. Chouriço cozido em vinho, diversos pescados e costeletas de javali, saciam outros apetites. Associando-se a estes cheiros, outros, mais doces, completam o menú. Assim, manjares de leite e mel, tijeladas, papas de melado, com sangue de porco e mel e frutos secos (especialidade da época) e as mais diversas frutas, completam a dieta alimentar da época.

Se recuarmos no tempo ficamos a saber que a feira de Coimbra foi instituída por portaria fernandina a 7 de Junho de 1377. Embora já existissem no século XII, a centúria de Duzentos surge efectivamente como o século de ouro das feiras em Portugal e o monarca D. Dinis apresenta-se como o grande incentivador das mesmas, totalizando 43 no seu reinado.
Maria Helena da Cruz Coelho, em brochura intitulada Feira Medieval - A feira de Coimbra no contexto das feiras medievais portuguesas, fornece uma descrição notável de uma feira medieval em Coimbra: «A Coimbra de Duzentos, movimentada, ruidosa, fervilhando de gentes, animais e mercadorias, oferece-se perante os nossos olhos.

 

O Padre e o Mendigo

São os cavalos, as mulas, os asnos e os homens que circulam nas ruas da cerca, transportando os mais variados produtos. Chegam de fora, de noite e de dia, para abastecerem a cidade. E erguendo-se o sol o comércio começa.
O vinho de fora vende-se nas alfândegas do rei. A carne de cabrito, cordeiro, leitão, cervo, corça ou gamo e o pescado, da lampreia e sável às peixotas e congros secos, compram-se nos açougues régios.

 

Doceria Conventual

 

Padeiras

 

Na casa das padeiras se busca o pão. Igualmente nos açougues, que designam todo o espaço do mercado, em locais improvisados de venda, oferecem-se aos vizinhos o milho, o trigo e a cevada, que seriam pão conforme as bocas; as verças das almuinhas da cidade e seu aro; a fruta que os homens e as mulheres trazem às costas; a imprescindível madeira. Aí se regateia o mel e o azeite, os alhos e as cebolas (...) Sendo a necessidade de panos (que não sejam de cor) ou roupas buscam-se as bancas dos fanqueiros, feltreiros, adéis ou dos que vendem mantas e buréis. Carecendo-se de peles, artefactos de pele ou sapatos, acorre-se aos peliteiros, correiros e sapateiros (...) Ocorreria esta azáfama, já o dissemos, na Alta, dentro do espaço muralhado.»

 

vendedora de verduras

 

A Antiga Arte de Fantoches

 

(*) Fotografias de Leonardo Opitz

 

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